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Gato calmo sendo examinado em clínica veterinária
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Vacinação de gatos: calendário atualizado e doenças preveníveis

Tríplice felina, FeLV, raiva e clamidiose — as vacinas essenciais para gatos, quando aplicar pela primeira vez e como manter os reforços em dia.

Dez 2025·5 min de leitura
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MV
Revisão técnica: Dra. Patricia Eliza de Almeida · CRMV-SP 10930

Resumo

Gatos precisam da tríplice felina (rinotraqueíte, calicivírus, panleucopenia) como vacina essencial, independente de serem domésticos ou com acesso externo. A antirrábica é obrigatória por lei em todo o Brasil. Este calendário completo segue as diretrizes WSAVA e CFMV para felinos em 2026.

A vacinação de gatos no Brasil é orientada pelas diretrizes do CFMV[1], pela WSAVA[2] e pela AAFP (American Association of Feline Practitioners)[3]. A classificação em vacinas essenciais (core) e não essenciais (non-core) norteia as decisões clínicas.

Vacinas essenciais (core)

Core são as vacinas recomendadas para todos os gatos, independentemente do estilo de vida ou localização geográfica[2][3]:

  • Tríplice felina (FVRCP): protege contra herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1), calicivírus felino (FCV) e panleucopenia felina (FPV) — classificadas como core pela WSAVA e pela AAFP
  • Antirrábica: obrigatória por lei no Brasil (Lei nº 9.605/1998)[4], mesmo para gatos exclusivamente indoor — risco existe via morcegos e outros vetores domiciliares

Vacinas não essenciais (non-core)

Indicadas com base no perfil de risco individual — acesso à rua, convivência com outros gatos, histórico de exposição[2][3]:

  • FeLV (Leucemia Viral Felina): indicada para gatos com acesso à rua ou convivência com gatos de status sorológico desconhecido; teste pré-vacinal é mandatório[5]
  • Clamidiose felina (Chlamydophila felis): indicada em ambientes coletivos (gatil, abrigo) com histórico da doença

Calendário para filhotes

A interferência pelos anticorpos maternos (MDA) é a principal razão para o protocolo seriado em filhotes[2]:

  • 8 semanas: 1ª dose da tríplice felina
  • 12 semanas: 2ª dose da tríplice felina
  • 16 semanas: 3ª dose da tríplice felina + antirrábica (1ª dose)
  • Reforço anual a partir de 1 ano de vida

Gatos adultos sem histórico vacinal

Gatos resgatados ou adotados sem carteirinha devem iniciar o protocolo completo: duas doses da tríplice felina com intervalo de 3–4 semanas, seguidas de reforço anual[2].

Sarcoma de aplicação felino (FISS)

O sarcoma de aplicação felino é uma neoplasia rara, mas grave, associada principalmente a vacinas com adjuvante. Incidência estimada entre 1:10.000 e 1:1.000 aplicações[6]. As diretrizes da AAFP recomendam rotação do sítio de aplicação para facilitar a vigilância e eventual excisão precoce[3].

Nódulo firme, persistente (> 4 semanas) ou crescente (> 2 cm) no local de aplicação deve ser avaliado imediatamente pelo veterinário, independentemente do tipo de vacina[6].

Gatos exclusivamente indoor

Gatos indoor ainda precisam da tríplice felina e da antirrábica. A justificativa: o vírus da panleucopenia é altamente resistente no ambiente e pode ser carregado por calçados e roupas; a antirrábica é exigência legal. O intervalo de reforço pode ser discutido com o veterinário com base no perfil individual do animal.

Referências
  1. [1]CFMV. Guia de Vacinação de Cães e Gatos. Conselho Federal de Medicina Veterinária. 2023.
  2. [2]Day MJ, Horzinek MC, Schultz RD, Squires RA. WSAVA Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats. J Small Anim Pract. 2016;57(1):E1–E45. doi:10.1111/jsap.2_12431
  3. [3]Scherk MA, Ford RB, Gaskell RM, et al. 2013 AAFP Feline Vaccination Advisory Panel Report. J Feline Med Surg. 2013;15(9):785–808. doi:10.1177/1098612X13500043
  4. [4]Brasil. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Lei de Crimes Ambientais. Brasília, DF.
  5. [5]Levy JK, Crawford PC, Tucker SJ. Performance of 4 point-of-care screening tests for feline leukemia virus and feline immunodeficiency virus. J Vet Intern Med. 2017;31(2):521–526. doi:10.1111/jvim.14657
  6. [6]Martano M, Morello E, Buracco P. Feline injection-site sarcoma: past, present and future perspectives. Vet J. 2011;188(2):136–141. doi:10.1016/j.tvjl.2010.04.025
MV

Revisão técnica

Dra. Patricia Eliza de Almeida, MS, PhD

Médica-Veterinária · CRMV-SP 10930 · Fundadora da Vaibicho

Este conteúdo foi revisado por médica-veterinária registrada e é de caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui avaliação clínica e consulta com médico-veterinário.

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