
Transmitida pelo carrapato marrom, a erliquiose é uma das doenças infecciosas mais graves em cães no Brasil. Entenda as fases da doença, os sinais clínicos e por que o diagnóstico precoce salva vidas.
Resumo
A erliquiose canina é transmitida pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus e causa febre, hemorragias e trombocitopenia. O diagnóstico precoce é determinante: tratada na fase aguda, a recuperação é completa; na fase crônica, o prognóstico piora consideravelmente. Saiba reconhecer os sinais de alerta.
A erliquiose canina é uma doença infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, transmitida principalmente pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus — o carrapato marrom do cão[1]. Amplamente distribuída no Brasil, a doença é considerada endêmica em praticamente todo o território nacional e representa uma das principais causas de trombocitopenia (queda de plaquetas) em cães atendidos em clínicas veterinárias[2].
O carrapato adquire a Ehrlichia ao se alimentar de um cão infectado. Após um período de incubação de 1 a 2 semanas no interior do vetor, a bactéria pode ser transmitida para um novo hospedeiro durante a próxima repasto sanguíneo[1]. Apenas a picada transmite a doença — o contato direto entre cães não é uma via de infecção. Por isso, o controle efetivo do carrapato é a principal medida preventiva.
Cães que frequentam áreas externas, parques, praias ou viajam com frequência têm maior exposição ao carrapato marrom e, portanto, maior risco de erliquiose.
A erliquiose canina evolui em três fases distintas, com prognóstico progressivamente mais grave conforme a doença avança sem tratamento[3].
Na fase aguda, o tratamento com doxiciclina é altamente eficaz e a recuperação completa é esperada na maioria dos casos[3].
O cão parece se recuperar, mas a bactéria persiste nos tecidos. Alterações laboratoriais discretas (trombocitopenia leve, hiperglobulinemia) podem ser detectadas em exames de rotina. Essa fase é traiçoeira: o animal parece saudável, mas a doença evolui silenciosamente[3].
Cães na fase crônica grave têm prognóstico reservado mesmo com tratamento. A mortalidade na erliquiose crônica é significativamente maior do que na fase aguda[2][3].
O diagnóstico baseia-se em uma combinação de histórico clínico (exposição a carrapatos, sinais compatíveis), exame físico e exames laboratoriais[4]:
É importante lembrar que animais soropositivos em fase subclínica podem não apresentar sintomas evidentes. Exames de rotina semestrais são fundamentais para detecção precoce em áreas endêmicas[2].
O antibiótico de escolha é a doxiciclina, administrada por via oral na dose de 10 mg/kg uma vez ao dia (ou 5 mg/kg duas vezes ao dia) por um mínimo de 28 dias[3][4]. Cursos mais curtos estão associados à recidiva. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível após a suspeita clínica — aguardar confirmação sorológica em casos agudos graves pode custar a vida do animal.
Nunca interrompa a doxiciclina antes de completar os 28 dias, mesmo que o cão pareça totalmente recuperado. A interrupção precoce é a principal causa de recidiva.
Não existe vacina disponível para erliquiose canina no Brasil. A prevenção depende exclusivamente do controle do carrapato[1][2]:
A Ehrlichia canis não é transmitida diretamente de cães para humanos. No entanto, o mesmo carrapato vetor pode transmitir outras espécies de Ehrlichia capazes de infectar pessoas, como E. chaffeensis[1]. O controle do carrapato protege simultaneamente cães e humanos que vivem no mesmo ambiente.
Revisão técnica
Dra. Patricia Eliza de Almeida, MS, PhDMédica-Veterinária · CRMV-SP 10930 · Fundadora da Vaibicho
Este conteúdo foi revisado por médica-veterinária registrada e é de caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui avaliação clínica e consulta com médico-veterinário.
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